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Confissões de uma designer

DESIGNERS

Oi, meu nome é Bruna e eu sou designer. Ou pelo menos pretendo ser. Não sei quais foram as circunstâncias que te trouxeram até mim, mas eu estou feliz que esteja aqui. De certa forma, eu acho que você precisa ler o que eu tenho pra dizer. Adiei o máximo de tempo esse texto, mas minha paciência, digamos… agora só tem 10% de carga.

Quero trabalhar com isso desde sempre. Piegas, eu sei. Mas é a verdade. Não sei se isso é exatamente bom porque comecei a “sofrer” com essa decisão desde cedo. Afinal, que jogue a primeira pedra o estudante de design que nunca escutou alguém dizer que morreríamos sem dinheiro, liso, pobre, com uma mão da frente e outra atrás.

Ops, senhoras e senhores, ainda não recebi nenhuma pedrada aqui.

Quando adentrei no curso, tive contato com tudo que eu sempre amei. Estética, construção e criação de coisas, processos criativos… Era quase o ‘dreams come true’ da Disneylândia. Tudo seria um mar de rosas brancas e azuis se a gente não tivesse de lidar com todo o resto. O resto, lê-se: Gente que não entende o que a nós fazemos.

Estudo numa Universidade onde dividimos o campus com outros cursos como Engenharia, Administração, Medicina e Pedagogia. Poderia ser ótimo se não catastrófico. Design é o tipo de curso que ninguém respeita. Desde o começo, nós estudantes de design, somos obrigados a ouvir gracinhas pelos corredores porque os outros universitários nos colocam a margem de “estudantes que só desenham”.

 Que coisa triste, não é? Enquanto vocês fazem prova de cálculo, estamos nos divertindo com esses papéis coloridos.

O que vocês não sabem é que tudo que nos rodeia envolve criação, trabalho duro e ideias que nunca vêm imediatamente. Não estamos ali só para sermos “estilosos”, desenhar figurinhas e encher os painéis com cartazes bonitos. Que assim como vocês estudam hard a soma dos quadrados do cateto, os benefícios da água no organismo e a velocidade média de um carro, nós também gastamos noites de sono madrugada adentro (e regados por café) construindo protótipos e escrevendo artigos. Damos importância a isso.

Não merecemos seu menosprezo.

O que vocês não sabem é que o mundo ao seu redor respira design e que sua vida medíocre (e a minha também) não seria nada sem ele. Ou você acha que esse celular maravilhoso que você comprou ontem foi concebido por Deus? Que esse computador que você está usando agora não foi pensado por alguém como nós?

 Sabe aquela roupa que você usou naquela festa, o sofá confortável da sua sala ou a simples embalagem do seu perfume? Foram criados por um designer. As placas de trânsito, os mapas dos metrôs e a capa dos seus livros favoritos também, imagina só! Quanta ironia.

É cômico como desprezam algo que se tem contato diariamente. Chateiam-me as criticas não construtivas, comentários absurdos e aquela arrogância dos outros profissionais que nos colocam a margem de. Quando você pensar em criticar um designer, ou não saber o que fazemos com exatidão, olhe ao seu redor.

O mundo não pode viver sem médicos, engenheiros, admistradores, biólogos e pedagogos. Designers também! Por que julgar o que mantém esse eixo em equilíbrio? Porque menosprezar aqueles que fazem as coisas ficarem fáceis e bonitas aos seus olhos?

Dispa-se do seu preconceito ou acostume-se! Estamos aqui para causar, não para fazer figuração.

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Bruna Aureliano
É feminista e escreve porque resolveu rejeitar o silêncio. Com 23 invernos, gosta de intensidade em tudo que faz. Uma contradição ambulante, tadinha. Ama o vintage, mas se apaixonou pelo moderno. É do rock, mas dança Rihanna. Acredita em astrologia, energias positivas e encontra na música resposta para tudo que não entende.
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