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Queremos sapatos de guerreira

Já discutimos várias vezes que a moda é um dos recursos mais fortes quando se trata de construção de identidade. É através das roupas que mostramos quem somos. É a primeira mensagem que transmitimos. A roupa nos molda e nos transforma e não foi por acaso que, durante o século XX, as mulheres modificaram tanto os significados do que vestiam, fosse se apropriando da calça até os ternos e gravatas usados por rapazes.

E é legal ver a forma como as roupas hoje continuam fazendo parte ativamente desse movimento. Se as feministas queimaram os sutiãs na década de sessenta, hoje as mulheres continuam querendo mesmo é usar o que melhor lhe cai, e isso inclui os sapatos.

Passou-se um tempo em que o salto alto era um sapato obrigatório no guarda roupa das mulheres, um elemento essencial da identidade feminina.  Ele continua sendo um símbolo de feminilidade, nos tornam mais esguias, melhora a postura, empina nosso popô e nos deixam mais sexys. A questão, migas, é que em pleno século XXI, tem muita mina cansada de se submeter a isso. Porque a verdade é que salto é desconfortável demais!

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Vejamos, de uns tempos pra cá, o conceito de sapato feminino mudou da mesma maneira que o vestuário. E isso é decorrente das inúmeras desconstruções que vêm acontecendo. Passou a época em que, um sapato verdadeiramente feminino, precisava ser decorativo, ter laços, pedrarias, frufrus e uma altura x. Nós queremos mais. Queremos mais porque nossa rotina pede isso.

As mulheres saíram de casa. O confinamento doméstico não existe mais. Agora somos empresárias, designers, advogadas, secretárias, médicas e etc. Agora a gente trabalha, precisa correr pra não perder o ônibus, leva chuva, ficamos horas em pé e temos uma vida ativa. Óbvio, existem profissões que ainda exigem um sapato de salto, mas não é isso que procuramos. Não é isso que queremos.

Vou dar um exemplo pessoal: Toda vez que eu saio a noite ou pra algum lugar em que vou passar muito tempo de pé, eu penso em uma coisa: “Preciso de um sapato que me permita uma rota de fuga”. É bizarro pensar assim, mas a ideia é usar algo que me permita fugir, correr, em alta velocidade, sem precisar tirar o sapato. Captaram? O salto pode ser incluído nessa situação? Nãozinho.

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É por essas e outras que procuramos sapatos práticos. Queremos as botas, os tênis, as sandálias confortáveis e os solados grossos. Queremos calçados duráveis e resistentes. Porque, falando de uma maneira mais simbólica, as minas estão preferindo ser retratadas como guerreiras do que como princesas. E sapatos de guerreira não incluem tiras que incomodam e saltos que deixam o calcanhar inutilizável no fim do dia.

E sabe o que o isso tudo quer dizer? Que estamos mesmo questionando nosso papel como mulheres e quanto mais nos apropriamos do que realmente gostamos e recusamos o posto de bibelô masculino, mais manifestações na moda encontraremos por aqui, com roupas e sapatos que acompanhem nosso ritmo e estilo de vida. Quem topa continuar por aqui? Eu topo com certeza!

+++ leia também: Hoje eu vou sem bojo

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Bruna Aureliano
É feminista e escreve porque resolveu rejeitar o silêncio. Com 23 invernos, gosta de intensidade em tudo que faz. Uma contradição ambulante, tadinha. Ama o vintage, mas se apaixonou pelo moderno. É do rock, mas dança Rihanna. Acredita em astrologia, energias positivas e encontra na música resposta para tudo que não entende.
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