Assine a newsletter do blog, prometo só te mandar coisas incríveis!

Um macacão preto e sobre o que ele me fez refletir

Todo final de ano, aqui em casa, a gente tem uma tradição: Comprar roupas novas para o Natal e o Ano Novo. E olha, a gente leva essa tradição a sério. Esse ano, eu resolvi fazer uma pesquisa. Vim pra Recife e por insistência da minha mãe, acabamos em um dos maiores shopping centers daqui. E claro, dentro de shoppings, a gente sempre tem as opções das marcas de fast fashion. Ou seja, acabamos dentro da Zara. *longo suspiro*

Lá, queridas migas, eu encontrei o macacão preto que eu estava procurando a um século e meio e nunca havia encontrado um tão bacana quanto. Lindo de morrer, juro. Acabamento impecável, tecido maravilhoso e serviu como uma luva em mim. Deixei a loja e o macacão ficou lá numa tentativa de refletir sobre ele. Desde que comecei a praticar o consumo consciente, eu procuro refletir o máximo possível sobre uma peça. Pra saber se eu preciso mesmo dela. Se vale mesmo a pena tê-la no meu guarda roupa. Se ela combina comigo e com os locais que eu frequento. Essas reflexões na minha cabeça triplicam quando se trata de Zara, justamente pelo histórico que a rede tem em relação a mão de obra usada para a produção de roupas.

No dia seguinte, voltei à loja e provei o macacão de novo. Novamente, me apaixonei por ele. Acabamos voltando pra casa juntos, mas essa discussão não saiu da minha cabeça, então eu vim aqui pra conversar. As vezes (pra não dizer, sempre!), o consumo consciente vai te forçar a sair da sua zona de conforto. Pra praticá-lo, a gente sempre vai precisar se esforçar um pouquinho, principalmente porque tudo ao nosso redor nos estimula a consumir mais e mais. E a gente vai sempre, sempre ter vontade de comprar no lugar mais errado. 

macacao-preto

Eu já tinha uma noção das proporções de rapidez do fast fashion, só não imaginava o quão acelerado ele estava. O exemplo que eu tive foi ter entrado na Zara no Domingo pra procurar um macacão preto e ter encontrado ela toda modificada na segunda feira, com quase quarenta por cento das araras renovadas. Peças que não estavam ali no domingo agora estavam. O macacão preto com defeito que eu encontrei no domingo tinha sido substituído por um novinho em folha. E isso em 24 HORAS!

Que roupa é essa que a gente está vestindo? Que produtos são esses que estamos levando para dentro do nosso guarda roupa? Hoje, apareceu na minha timeline a informação de que o vestuário está em segundo lugar na categoria de maiores poluentes do planeta. Isso não se trata apenas do descarte das peças, que vão parar nos lixões e aterros, mas a quantidade de matéria que se perde na confecção dela. Na água utilizada no tingimento dos tecidos e que é descartada sem nenhum cuidado nos rios e mares. Nos componentes químicos de lavagem dessas roupas…

Sim, meu macacão da Zara é lindo. Mas será que ele vale a vida de alguém?

Ele vale o bem estar de todos nós? Só pra gente ficar atento.

Compartilhe
Bruna Aureliano
É feminista e escreve porque resolveu rejeitar o silêncio. Com 23 invernos, gosta de intensidade em tudo que faz. Uma contradição ambulante, tadinha. Ama o vintage, mas se apaixonou pelo moderno. É do rock, mas dança Rihanna. Acredita em astrologia, energias positivas e encontra na música resposta para tudo que não entende.
AnteriorPróximo
Deixe seu comentário
Newsletter
Receba as coisas mais legais do Boneca de Platina por e-mail!
Fechar